"Com liberdade, livros, flores e Lua, quem não seria inteiramente feliz?"

(Oscar Wilde)

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Poeminha de Louvor ao "Strip-tease" Secular

Eu sou do tempo em que a mulher
Mostrar o tornozelo
Era um apelo!
Depois, já rapazinho, vi as primeiras pernas
De mulher
Sem saia;
Mas foi na praia!
A moda avança
A saia sobe mais
Mostra os joelhos
Infernais!
As fazendas
Com os anos
Se fazem mais leves
E surgem figurinhas
Em roupas transparentes
Pelas ruas:
Quase nuas.
E a mania do esporte
Trouxe o short.
O short amigo
Que trouxe consigo
O maiô de duas peças.
E logo, de audácia em audácia,
A natureza ganhando terreno
Sugeriu o biquíni,
O maiô de pequeno ficando mais pequeno
Não se sabendo mais
Até onde um corpo branco
Pode ficar moreno.
Deus,
A graça é imerecida,
Mas dai-me ainda
Uns aninhos de vida!
Millôr Fernandes.

A Carta

Escrevo-te estas mal traçadas linhas, meu amor
Porque veio a saudade visitar meu coração
Espero que desculpes os meus erros por favor
Nas frases desta carta
que é uma prova de afeição
Talvez tu não a leias mas quem sabe até darás
Resposta imediata me chamando de meu bem
Porém o que me importa
é confessar-te uma vez mais
Não sei amar na vida mais ninguém

Tanto tempo faz,
que li no teu olhar
A vida cor-de-rosa que eu sonhava
E guardo a impressão
de que já vi passar
Um ano sem te ver,
um ano sem te amar
Ao me apaixonar,
por ti não reparei
Que tu tivestes só entusiasmo
E para terminar, amor assinarei
Do sempre, sempre teu...
Renato Russo

Falando Sério Maurício Manieri

Falando sério
É bem melhor você parar com essas coisas
De olhar pra mim com olhos de promessas
Depois sorrir como quem nada quer.

Você não sabe
Mas é que eu tenho cicatrizes que a vida fez
E tenho medo de fazer planos
De tentar e sofrer outra vez.

Falando sério
Eu não queria ter você por um programa
E apenas ser mais um na sua cama
Por uma noite apenas e nada mais.

Falando sério
Entre nós dois tinha que haver mais sentimento
Não quero seu amor por um momento
E ter a vida inteira p'ra me arrepender.

Falando sério
Entre nós dois tinha que haver mais sentimento
Não quero seu amor por um momento
E ter a vida inteira pra me arrepender
Não compreendo os Teus caminhos
Mas Te darei a minha canção
Doces palavras Te darei
Me sustentas em minha dor
E isso me leva mais perto de Ti
Mais perto dos Teus caminhos
E ao redor de cada esquina, em cima de cada montanha
Eu não procuro por coroas, ou pelas águas das fontes

Desesperado eu Te busco
Frenético acredito
Que a visão da Tua face
É tudo o que eu preciso, eu Te direi
Que vai valer a pena
Vai valer a pena
Vai valer a pena, mesmo
Sim vai valer a pena
Vai valer a pena
Vai valer a pena, mesmo

O bacana do amor...

Acho que amadurecer é saber que a gente é dependente. No amor, é isso. Quando é que amadurece o amor? Quando a gente sabe que é dependente. No início, é aquela coisa meio chata, o cara quer namorar a menina, tudo o que ele faz é bom. Escova os dentes 40 vezes, compra chiclete, vai todo bem arrumado, porque ele é o cara e tal. Mas o bacana do amor é quando tu descobres que tu dependes de outra pessoa. É como se tu pudesse, finalmente, revelar a tua fraqueza diante do mundo: ‘Sinto muito, eu preciso de ti, tu vais ter que me aguentar nos próximos 20 anos’. 

~ Humberto Gessinger